poeminhas, tex(perimen)tos

oh Captain, my captain

Da varanda do primeiro andar calculo o
salto – sua língua é um trampolim
bambo: mergulho em vinho branco e afogo
os pulmões no cigarro que você
acendeu pra mim.

Submersa, a fumaça
exalada compete contra a luz
laranja dos postes
da rua Humaitá.

Juízes olímpicos me penalizariam
pelo estardalhaço da queda. Mas é
tão baixo, nem
dá pra morrer.

Eu só queria te ensinar o dó ré mi, como
se eu fosse Maria e você, uma criança
von Trapp. Mas eu me chamo
mesmo Maria e você
é o Capitão de
mim.

Sol dó lá fá mi dó ré
Sol dó lá si dó ré dó

Dó mi mi
Mi sol sol
Ré fá fá
Lá si si

(Trilha sonora de um estupro)

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