poeminhas, tex(perimen)tos

oh Captain, my captain

Da varanda do primeiro andar calculo o
salto – sua língua é um trampolim
bambo: mergulho em vinho branco e afogo
os pulmões no cigarro que você
acendeu pra mim.

Submersa, a fumaça
exalada compete contra a luz
laranja dos postes
da rua Humaitá.

Juízes olímpicos me penalizariam
pelo estardalhaço da queda. Mas é
tão baixo, nem
dá pra morrer.

Eu só queria te ensinar o dó ré mi, como
se eu fosse Maria e você, uma criança
von Trapp. Mas eu me chamo
mesmo Maria e você
é o Capitão de
mim.

Sol dó lá fá mi dó ré
Sol dó lá si dó ré dó

Dó mi mi
Mi sol sol
Ré fá fá
Lá si si

(Trilha sonora de um estupro)

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poeminhas, tex(perimen)tos

(para JM)

Quando você me fez pokémon, aquela
mordida de brownie rasgou
o pneu.

A ladeira do seu nariz deslocada
7 infinitos de milímetro, mais um Gol
da alemanha. Na verdade, é uma raposa
preta.

(Medo de soltar o freio
da sua mão com o da minha
língua.)

Nossos cadáveres sangrando
sêmen. Quantas pintinhas
fluorescentes no paralelepípedo.

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